domingo, 5 de abril de 2015

Sobre todas as coisas que matei em você...

De todos os meus devaneios já vistos e escritos este pode ser somente mais um que irá embaralhar a sua cabeça.
Dos ventos que sopram ao leste e lhe traz saudades do oeste, podem lhe desestabilizar de uma maneira que nem o mais profundo primeiro amor já fez.
De todas as maneiras que eu criei para lhe arrancar um sorriso, você preferiu o ácido que saíra pelos meus poros.
De todas as roupas que eu já usei, você dizia que o natural era belo aos olhos de Deus.
De todas as vezes que eu lhe disse que estava tudo bem, eu só queria que você me abraçasse e dissesse: "eu sei que você está fodido, mas estou aqui".
Por todas as vezes que mexi em meu celular, o seu olhar parecia estar menos convidativo o possível. Eu sabia que alguma coisa estava errada, que os meus solos de guitarra estavam despencando por cima de seus interesses, que eu estava fodendo a sua percepção com todos esses devaneios sem fim e sem pudor.
De todas as vezes que lhe beijei e você sentiu o sabor do meu cigarro. A nicotina percorria todo o seu sistema e lhe fazia guardar o pior de mim - ou o melhor. 
Sempre quis saber: era a minha loucura que rodeava as suas ideias ou era a vontade de ser tragado pelo meu doce veneno?
Era a minha música. A verdade que eu escrevia entre os seus olhos e a sua vontade de viver, a sua vontade de vencer na vida, sua vontade de apenar cuspir na minha cara e me mandar embora.

Quem sabe um dia você não repassa todo o ódio que eu consumi, fumei, injetei e joguei para você? Se um dia eu lhe dei a oportunidade de acabar com cada pedaço de luz que você tinha saiba que alguém ou algo fez o mesmo comigo.

Pois hoje, se sou trevas, trevas ficarei e trevas morrerei. 

Sobre o veneno que subiu a cabeça...

Eu estive muito tempo sem vir aqui, sem dar algum sinal de vida, sem ter algum momento de privacidade perante a minha cama, ao meu sadismo, ao meu corpo, mente, alma.

Entre a carne e a mente, esta prevaleceu-se. De um pobre estudante virei escritor, de um pobre escritor, virei amante, de um pobre amante, virei sedutor. E de um mero e simples sedutor, virei seduzido.

Aprendi que o Mundo é feito de dois tipos de pessoas. Aquelas que se deixam arrastar e as que se arrastam. Há uma grande diferença entre essas duas pessoas que nos choca: a motivação pela vida. A primeira sempre está a reclamar de todo esse grande show que a Terra nos dá a cada dia. A segunda já está mais motivada em compreender o por quê da Terra nos entregar todas essas infinitas formas mais belas de mão beijada sem no mínimo uma recepção decente.

Tive muito trabalho para distingui-las, pois estive, por muito tempo, na transição. Enquanto acendo meus inúmeros cigarros e leio meus livros eu começo a perceber que a fumaça que sai pela minha boca já não tem mais o mesmo sentido. Já consigo sentir que a música que soa aos meus ouvidos está mais forte, está mais imponente. Ela entra e me preenche. Preenche-me de medo, devastação e sadismo. Hoje já somos um só. Cigarro e pessoa. Fumaça e música. Todas essas qualidade, aos meus olhos, juntas num só propósito: propor um jogo de sadismo entre os meus pensamentos e a minha vontade de devastação sexual.

Depois de muito tempo sem escrever nós percebemos que as palavras saem desordenadas de nossos dedos. Elas desfilam beleza e tragédia perante a tela do computador. Elas têm medo do que pode lhes acontecer. São meras crianças indefesas com um grande significado dentro de seus corações.
Não sei se descrevi a vida ou apenas as minhas palavras. Será que há alguma diferença entre elas?
Tudo que escrevo tem um significado, mas tudo compete a mim. Somente a mim. Caso você venha a ler todas essas palavras você não vai entender nem um por cento do que estou querendo passar. Até porque você não vivenciou o que eu vivenciei.

Eu desci até as profundezas do inferno, rasguei meu coração cheio de esperanças e sonhos, troquei-o por trevas e desconfianças e subi as escadas para o juízo final. Eu passei por dias terríveis durante essa minha estadia. O inferno me moldou perfeitamente como um soldado de chumbo. Meu único avanço é vencer essa guerra que estou travando com o Diabo. Sabe aquelas frase? "Quem disse que seria fácil?". Pois posso lhe responder: eu disse isso. Depois que você começa a se intoxicar com a lama da vingança, do sadismo, do terror, do sexo e da perversão, não há quem chegue em você e te resgate desse grotesco Mundo.

Acho que a sorte nunca esteve tanto ao meu lado que nem ela está agora. Por mais que o meu cigarro me machuque, por mais que as minhas aventuras me destrua, por mais que a cada sorriso que eu dou eu magoe cada pessoa que está ao meu redor eu sempre estarei por aqui, em pé, pisoteando os coitados que tentaram, um dia, me derrubar. São dos meus próprios devaneios que vêm as minhas próprias vitórias.

Alguém já te disse que o meu sorriso pode intoxicar até as mais belas rosas de seu jardim? Eu tomaria cuidado se você passasse por perto e sentisse o ardor de meu corpo.