Sempre é difícil colocar no papel os nossos sentimentos. As vezes o nosso orgulho cega coisas que estão dentro dos nossos corações e nos amargam pelo resto da vida. Precisamos deixar um pouco ele de lado para poder nos entregar a uma vida a dois e as vezes pensamos que estamos deixando de ser um pouco de nós mesmos para poder dar certo. Na verdade não é bem assim...
O que acontece é que temos muitas coisas em comum, mas esquecemos de certas qualidades por achá-las desnecessárias em certos momentos da vida. Descobrimos que podemos ser mais forte e podemos enraizar mais nossas ideias. Ficamos bêbados mais fácil, nos atordoamos mais rápido, morremos mais fácil, nos entregamos demais. Esse é o mistério, dom, mas não se iluda! As pessoas são más e elas machucam de verdade! Dói um pouco as palavras que usamos para nos defender de palavras que ainda serão usadas contra nós. Eu tenho medo de poder levar isso pra frente, mas ainda não entendo o que acontece dentro de mim quando começo a ficar por mais tempo apenas com uma pessoa. O sentimento que cresce dentro de mim é um ser muito estranho, não consigo entender e não consigo manuseá-lo da forma certa e acabo tendo momentos de lucidez, mas momentos de loucura. A loucura toma por completo meu corpo, apaixonar-se pelo cara certo ainda é uma coisa que não está nos meus planos, mas eu sempre esqueço que não faço planos, que não planejo cada passo. Meus passos são sempre irracionais. Pensar é uma coisa que me dá trabalho e medo. Trabalho, pois as vezes acabamos forçando uma coisa que não conseguimos levar pra frente, mas queremos. E medo, pois todos nós temos né? É uma coisa intrínseca ao ser humano e machuca, pois não conseguimos nos desvincular desse medo. Cada passo que damos é apenas uma história que é narrada pelo fim. As vezes o beijo que você recebe ou a troca de olhares que é feita pela ruela pode significar um fim doce e amargo.
Não estou conseguindo me expressar direito, as vezes acho que escrevo sem pensar e logo lembro que realmente não estou preparado para mostrar a maioria dos meus pensamentos para o público. Alguém me entenderia tão bem quanto eu mesmo me entendo? Acho que não, pois até eu mesmo não consigo me entender. Acho que a loucura já faz parte do meu jogo, do meu corpo, da minha alma. Eu tento dizer para todos que não sou, que não fui, que não vou deixar de fazer algo por pura coisa da minha cabeça, mas uma coisa que entendo: cada cigarro, cada suspiro, cada música, toque, beijo, suor, olhares me fizeram acreditar de que eu tenho lucidez, que a loucura ainda não está tomando conta do meu corpo, mas apenas partes dele. Eu queria muito entender toda essa explosão de sentimentos que eu tenho dentro de mim, mas certas coisas específicas me deixam horrorizado. Dos meus pensamentos mais obscuros nasceram ideias de compreensão e paixão. Não sei se conseguiria deixar o meu eu de lado para poder viver o 'nós', pois ainda acho que preciso cuidar um pouco dessa parte que me enlouquece, dessa parte que se autodestrói a cada minuto de vida.
Eu sou uma máquina ambulante de destruição e tudo que passa por mim é destruído pelo meu simples toque, meu simples respirar. Não consigo acreditar que tudo isso realmente está acontecendo em minha vida. Acho que estou um pouco louco ainda. Certas coisas precisam fazer sentido em minha vida para eu poder dizer: Dom, você não é tão louco quanto pensava, você estava certo em certas situações.
Eu quero lutar ainda pela minha liberdade e tentar dizer para todos que eu não enlouqueci, que eu ainda estou vivo, que ainda respiro o mesmo ar que você respira, mas é difícil admitir. É difícil dizer para o Mundo que, as vezes, você quer que a loucura te domine, que você quer se autodestruir, que você quer tomar um porre de cerveja numa segunda, que você ama incondicionalmente e ao mesmo tempo que ama, odeia.
Acho que na verdade eu gosto de ser louco, a insanidade combina mais com o meu perfume natural.