Devaneios de uma Mente simplória.
Será que de devaneios nos consumimos? Ou nos consumimos de devaneios? Eu já sentei, fumei, cheirei e traguei o nosso amor, querido. Venha tomar café enquanto as ondas quebram em nossos pés emaranhados de tristeza, cinza, espelhos e fumaça...
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
Sobre o garoto que aprendeu a amar mais...
Sobre o descontrole cotidiano de uma pessoa farta de mentiras...
Pois é...
Como um bom ariano, e aqui eu gosto de reforçar o clichê, o meu humor não andava muito bem não.
Tenho ido duas vezes ao trabalho presencialmente e tem sido ótimo, principalmente para dar as caras e ver pessoas além de mim e meus dois gatos que, sim, são duas pessoinhas.
Pois bem. Pedi um Uber.
E, contextualizando, eu sou aquela pessoa bem animada que puxa papo de manhã, começa a ouvir histórias e começa a dar atenção mais do que devia. Uma vez foi a história da loucura de amor, mas dessa vez... eu peguei um Uber pró-bolsonaro.
Normalmente a corrida até o trabalho dá 25 minutos.
Essa durou 45 min.
E foram 45 minutos ouvindo o quanto a vacina não era eficaz; que não houve corrupção na compra da Covaxin; que o Dória é um maluco (essa eu concordei em partes); que os médicos que ele tinha passado falaram que a Coronavac não era uma boa vacina e que deveria sim escolher - #socorro o sommelier - enfim, uma hora eu gritei...
Eu: Pelo amor de Deus, como assim não teve superfaturamento? Como assim o Bolsonaro está fazendo um bom trabalho? Você precisa começar a ouvir outra coisa ao invés da Jovem Pan, meu caro, a gente tá vivendo uma pandemia sem precedentes, só temos vacina porque um Governador se esgoelou para sair na frente; o "Naro" deixou de responder mais de 100 e-mails da Pfizer, não são nem dez horas da manhã e eu tô tendo que ouvir toda essa baboseira? Me poupe.
A viagem seguiu silenciosa até o trabalho.
Ele pediu dicas de boas fontes de informação.
Mandei ele ouvir o "Foro de Teresina" e ler uma Carta Capital da vida, sei lá.
Queria ter mandado tomar no cu? Queria, mas daí lembrei que tomar no cu é bom...
Ah! E para não perder o costume #FORABOLSONARO
quinta-feira, 22 de julho de 2021
Sobre as mecânicas do inconsciente em relação às nossas atitudes...
Pois é...
Tive um insight FDP hoje e precisava vir aqui tentar entender. Tenho notado que me relaciono sempre com pessoas em um relacionamento aberto. Incrível né? E o mais doido é que, nesses aplicativos de relacionamento, só me aparecem os : CASAL / 2 + 1 / CASAL VST / etc etc etc.
E daí bate em nossa cabeça o famoso INSIGHT, daqueles bem fodidos, sabe? Que te deixa o tempo todo "noiado".
Segue:
Depois de sair de um relacionamento entendi comigo mesmo que não estava e nem estou preparado para vivenciar algo a dois. Sim, na monogamia.
Sendo assim, sigo tentando arriscar uns beijos aqui, acolá e, no meio disso tudo, ainda tentando sobreviver a uma pandemia, aos poucos vou vendo uma constante surgir em todos os "relacionamentos" que passam em minha frente e penso comigo mesmo: estou perdendo algumas chances... e sabe qual?
Eis a nóia:
Sinto que toda vez que eu saio com uma pessoa que está na diversão, com um relacionamento aberto, eu perco a oportunidade de - talvez - tentar desenvolver algo a mais. Louco né? Mas é isso...
Ao mesmo tempo que não estou preparado, quero ter a oportunidade de, sei lá, cair no meio de um filme romântico bem idiota a lá adaptação de John Green e me apaixonar, mas não quero. E tá tudo bem?
Eu achei que estava tudo bem.
Pois eis que hoje, nesta data, meus caros, peguei essa meu pensamento e mandei um áudio bem explicativo a uma grande amiga, terapeutizada.
Resposta: "Não, é o que a tal da análise fala: será que você só fica com pessoas de relacionamento aberto por que você está, de fato, desinteressado e não está afim de namorar ou será que, inconscientemente, você está provocando uma situação para que, de fato, não dê certo para que você não conheça alguém, não se apaixone e não se entregue. Já parou para pensar nisso?! Pois o nosso inconsciente passa a perna "ni nóis"."
Rapaz.........
e sigo eu aqui, caído em meu apartamento de 32m² depois desse soco no estômago. Preferia ter levado uma mordida na cabeça do meu pau, talvez.
Mas só talvez...
Acho que preciso voltar para a terapia!
segunda-feira, 19 de julho de 2021
Sobre as bobeiras que o amor nos faz passar...
Semana passada peguei um Uber para ir ao trabalho. Já estava um pouco atrasado do que o normal - aliás, eu deveria considerar o atraso quase como uma grande amiga para o meu trabalho - e já fui pedindo desde aqui de cima para a viagem.
Da Vila Andrade até o Itaim, quando tá tudo "ok", dura uns 25 minutos essa viagem. Dependendo o meu "mood" eu vou conversando ou então só fico rolando meu Instagram no automático.
Vejo que ele se atrapalha com o GPS e estava prestes a virar em uma rua a qual eu conheço e sei que é sem saída: "moço, pode ir reto, aqui é sem saída".
ele: "me desculpa, não sou aqui, sabe? Daí fica um pouco difícil me localizar"
eu: "É de onde?"
ele: "Itu/SP"
eu: "Moço, você tá longe. O que tá fazendo perdido aqui?"
Ele dá uma pausa, o sinal fecha, ele coloca a mão na cabeça e eu penso "lá vem história..."
ele: Então, João, eu tô aqui faz uns três dias. É que - meio sem graça ele vai se abrindo - eu conheci uma menina em um aplicativo e já fazem 03 dias que estou aqui com ela, sabe?
Agora a pausa foi minha, pensei o quão loucos esses dois sujeitos são para 1) a moça abrigar um desconhecido 3 dias na casa dela OU 2) o moço ir, ficar trabalhando de Uber e ser abrigado 3 dias por uma desconhecida.
eu: olha só... mas você sabe que de vez em quando a gente tem que viver uma loucura de amor, né? Nunca se sabe o dia de amanhã - que clichê, João Pedro.
Pois é. E sabe que isso me fez pensar bastante. Um dia uma pessoa muito querida me disse que eu deveria me permitir mais: "você tem que se permitir a conhecer as pessoas, as vezes você deixa de ter um lance legal ou uma histórica bacana pela falta de permissão".
Que doido, né? Quem diria que eu, aqui, depois de muito tempo, teria esquecido o quão faz bem a gente cometer essas loucurinhas de amor/paixão/casinhos/affair, etcs.
Lembro um dia em 2015 que passei o ano novo no Rio. Fui ter um date com um cara super gente boa, carioca é ótimo no papo né? Pois eu não sai achando que estava vivendo um amor de verão? Teve foto, teve declaração, beijos apaixonados e fiquei apenas algumas horas com ele.
Claro que depois não conseguimos engatar em mais nada. Os nosso caminhos tiveram outras direções e é sobre isso.
eu: "Moço, obrigado e bom trabalho. Ah, e aproveite o seu amor de inverno. Vale a pena..."
e eu achando que ainda estava faltando algum texto sobre o encontro do cotidiano com o amor...
terça-feira, 13 de julho de 2021
Sobre o dia que eu virei a chave.
domingo, 24 de maio de 2020
Sobre o Garoto que pensou demais...
E sabe que eu andei pensando muito depois de 07 episódios "maratonados". O valor da amizade vale a pena para tudo? Acho que eu sempre tive a resposta para isso.
A trama conta uma história de duas mulheres que se conhecem em um "alcoólicos anônimos" para pessoas que perderam entes próximos, uma amizade começa a nascer, mas há algumas mentiras no meio que as unem de alguma maneira.
Já tivemos de mentir para amigos próximos apenas para mantê-los próximos?
Deixo essa frase no ar. Puxando na minha memória, acho que nunca precisei fazer algo do tipo, pois sempre fui muito intenso, sempre mantive o meu povo próximo a mim. Sem mentiras. Sem rodeios. Com muito amor. Muita paixão.
A amizade é conquistada, a gente sabe disso, mas o roteiro faz com que a gente se apaixone pelas duas personagens principais. Cada um com sua peculiaridade.
E falando em peculiaridade, a gente acha várias delas em nós.
Quem nunca mentiu para um amigo para um amigo dizendo que não está tão afim daquela pessoa? Quem nunca mentiu para um amigo que você não está tão legal para sair, mas você realmente não queria sair?
O ser humano não gosta de desapontar o outro. Não gosta de deixar o outro não mão. Gostamos de ser solícitos. De ter o outro em nossas mãos. Atenção, carinho, estigma.
Isso é muita nossa identidade né? Ou talvez seja o efeito da quarentena dentro de mim. Afinal, são 65 dias dentro de casa. Ou apenas a dose forte de gim que eu acabei de tomar.
O que eu quero dizer com tudo isso é: está tudo bem.
Se precisar mentir para o seu amigo: ok.
Mas saiba que tudo tem um preço. Às vezes a gente ama demais, entrega demais, dos demais, mas esquece um pouco do ser humano que se mata aos poucos ao fazer isso.
Quem apaga o fogo é aquele que conhece os nossos mais profundos segredos.
E quem é essa pessoa para vocês?
Hoje, bebendo, vendo uma série que eu gosto, respondendo mensagens ao vento, descubro que essa pessoa sou eu.
Ela só está um pouco descabelada e com o coração meio repartido.
sábado, 23 de maio de 2020
Sobre as vivências dentro da Pandemia...
Eu decidi sair do meu apartamento em Barão Geraldo, lugar que guardo boas memórias - mas isso eu conto depois - e vim viver em um bairro nobre de Campinas: o Cambuí e isso vem despertando algumas curiosidades as quais pretendo compartilhar nas linhas a seguir.
Antes de começar essa história, quero explicar algumas coisas:
1. eu não enriqueci;
2. Eu voltei a dividir contas com uma grande amiga;
3. Eu descobri que sinto muita falta de BG;
4. Tenho começado a amar o Cambuí, mas com ressalvas.
Passadas as considerações iniciais, tenho dividido com algumas amigas o quão me incomoda a frequência do caminhão de lixo nesse pedaço que todos chamam de "Coração do Cambuí". Eu lembro quando era criança que a minha mãe falava que determinado dia, acho que era quinta, o caminhão do lixo passava e tínhamos aquela rotina de juntar tudo e por para fora.
Ok, eu morava numa cidade do interior paulista, mais ou menos 70k habitantes à época, talvez a frequência para atender a cidade toda é considerada "ok".
Vamos voltar ao Cambuí.
Desde que me mudei, isso em fevereiro, a percepção do passar do tempo tem sido completamente diferente. Eu acordava cedo, dava bom dia pros gatos, ia trabalhar, ficava o dia todo fora e, ao final do dia, voltava para casa e chegamos ao "voltava para casa".
Próximo das 22h, no início da mudança, o caminhão passou pela Coronel Quirino, próximo das 22h e alguma coisa, o caminhão passou pela Bandeirantes e me surge a dúvida:
"O rico, por um belo de um acaso, junta mais lixo que os outros?"
Sabe a minha conclusão? Não, não junta, mas fica terminantemente proibido esse acúmulo do lixo dentro de casa, por que é inadmissível que, nos apartamentos luxuosos, tenham dois dias de acúmulo de lixo.
Isso só demonstra o quanto as cabeças dos idealizadores da cidade e das pessoas que a comandam só pensam naqueles que valem a pena financeiramente. Igualdades? Acho que não, pois conversando aqui e ali eu vejo que o caminhão de lixo funciona que nem na minha cidadezinha do interior em alguns bairros: uma vez na semana.
É uma coisa tão pequena, mas que denota toda a desigualdade social que o Brasil vive. Se você tem um pouco mais de dinheiro, e as pessoas acham que tem, mas esquecem que não tem tanto assim, é claro que você tem direito a ter todo o dia, duas vezes por dia, alguém do Estado para retirar todo o lixo que você acumulou. Perdeu o das 22h? Não tem problema, tem o das 22h e pouco, meu caro. (Contém ironia para os desavisados)
Seria uma revolução se estivéssemos pensando em como mudar esse sistema, mas ainda pensamos que é "normal" esse movimento que ocorre às 22h.
Ok, tudo bem, isso é apenas uma das vivências que vou compartilhar.
É por que eu ainda não falei do cruzamento, meus caros. E quando falo cruzamento é o da rua mesmo. São os reis das ruas.