quarta-feira, 17 de junho de 2026

Sobre o garoto que resolveu reler...

Exatamente 04h36min...

Não vou mudar o horário, pois foi nesse horário que comecei a escrever isso aqui...

Ao som de "Like a Prayer" da Sticky and Sweet Tour da Madonna eu resolvi reler tudo que escrevi, não tudo, mas algumas coisas dos anos que eu entendi que fazem sentido eu reler...

2020 foi estranho... 
2021 foi desafiador...
queria ter escrito 2022...
2023 me faz pensar que eu poderia escrever, mas seria mais de raiva do que qualquer outra coisa...
2024 me fez entender quem eu sou como profissional.
Vocês perceberam que eu pulei 2022? Foi muito difícil, não sei se quero relembrar tudo que foi feito aquele ano...
2025 é quase como se eu estivesse tentando lembrar de como os anos dourador de 16 foram bons...
e cá estamos em 2026...

Depois de reler eu lembrei que precisava, sabe? Precisava passar por cada obstáculo que me foi apresentado para entender que esse aqui que vos escreve não é mais o mesmo que vos escreveu no passado. Como se a água que passa no rio não passa duas vezes ou algo do tipo. Existe essa frase, certo? Ou é mais uma mentira que eu inventei na minha cabeça para fazer com esse texto faça sentido para vocês?

No fim das contas eu sinto que escrevo para muitos.

Só que eu esqueço que muitos é mais para quantas vozes da minha cabeça vão concordar com tudo isso após eu acordar com dor de cabeça e o nariz entupido.

maldito frio paulistano entorpecido pela caneta BIC da OAB 2019...

Sobre o celibato do qual me comprometi depois de anos "luxuriosos"...

 Acho que para tudo temos "fases na vida".

E quando eu digo "fases" é igual vídeo game: a gente passa pelo mais fácil, joga no médio, se aventura no difícil e lembra que existe um chefão ao final.

Nesse caso, o que seria então isso?

Logo eu, uma pessoa que foi extremamente sexual durante anos estar vivendo um celibato numa forma da qual: "sim, eu posso, mas não quero" "sim, quando quero, não sei se posso".

As vezes eu não consigo raciocinar direito o quão estranho tem sido esses meses. Depois de um relacionamento que foi deveras "confortável", estou entendendo que me perdi em um personagem do qual, até os dias de hoje, não foi possível achar.

Depois de tanto cigarro, garrafas de cerveja e zips ao redor da cama, sinto que o que me traz conforto são as embalagens de remédios ao lado da minha cama se esvaziando ao passar do tempo. E o quão isso me preocupa, claro...

Um minuto, vou pegar mais uma cerveja...

Depois de tudo que eu consegui conquistar, eu sinto que o vazio tem sido um grande motivo para dar passos para trás. Nada me envolve, nada me anima, nada me excita.

Conhecer pessoas para me relacionar já me deixou mais animado, hoje, da forma que as coisas estão acontecendo, tenho sentido mais preguiça do que tudo.

Meu amigo me disse que é a depressão.

Mas daí eu me lembro das cartelas esvaziadas ao lado da cama.

Que foram esvaziadas de forma errônea por anos.

E que agora erroneamente estão me deixando acostumado.

Falei que o diagnóstico me deixaria feliz por ter um norte.

Ele disse que eu não deveria me prender a isso.

Agora eu estou confuso ao que eu tenho que me ater. Logo eu, que sempre fui tão cheio de si e tão cheio de Norte. Não sei se, aos 32 anos, era isso que eu queria, mas é isso que eu tenho para seguir.

O lance agora é tentar entender o que está faltando para o meu eu de 32 se reconectar. Será que uma chupeta resolveria - e nesse caso estou falando de uma ligação direta e voltagem - ou não?  - daí nesse caso estou falando disso que vocês estão pensando mesmo.

No fim das contas nunca foi sobre o celibato, mas sim, sobre o que eu realmente tenho esperado depois de amadurecer.

Sei que tá doendo ainda, pois crescer nunca foi fácil, mas, como sempre falei, nunca foi o fato de ter crescido que me agregou a maturidade, mas sim, os limites que tive de me impor com as coisas que aconteceram de forma extravagante nesse jogo que chamamos de vida. No fim das contas é sempre sobre como seguir o caminho ou deixar o caminho nos seguir.

Tá tudo bem se for a depressão falando mais alto, mas eu deveria pensar em transar um pouco mais antes de confirmar que toda a alegria do meu corpo se extinguiu por causa da falta de dopamina a qual, neste exato momento, estou tentando repor com álcool e droga.

Será que uma das 47 vozes da minha cabeça realmente estão falando a verdade? Ou eu só criei esse imaginário dentro de mim para culpar outros e não eu? No fim das contas, são apenas pequeninos JPs tentando se comunicar com a verdade de uma forma a qual eu ainda não consegui traduzir.

100mg de Desvenlafaxina me deixou muito solitário, acho que preciso de uma cia dentro da minha cabeça para que as coisas voltem a fazer mais sentido. Eu lembro que gostava. Lembro?

Perceberam que eu perdi o assunto do texto? É isso que a minha cabeça tem feito comigo. No fim das contas, acredito que nem é sobre celibato, mas sobre o quão difícil ficou para mim estar dentro de um relacionamento, e nesse momento eu digo qualquer relacionamento, que me deixou preso a um JP o qual, eu até conheço, mas não sei se gosto muito.

Aliás, eu gosto muito desse, fui eu que criei mesmo, recordam-se?

No fim das contas eu lembrei que o meu espelho nasceu dois dias depois de mim, porém há 28 anos... 

terça-feira, 16 de junho de 2026

Sobre o retorno...

 Esses dias eu conversei com a minha mãe, a qual por muito tempo eu fiquei longe e agora me aproximo, o quão a escrita salvou a vida dela em seu momento de término com meu pai.

Me lembro até hoje de como foi o dia, não lembro a data exata, mas tinha 15 anos, 2009, e a cozinha, que já era grande naquela época, ficou maior ainda.

Foi a primeira vez que vi meu pai chorar. Meu pai. 1,62m, de puro "caipirismo". Nunca foi tão fácil para ele demonstrar o sentimento dele, mas, naquele dia, tudo virou.

A conversa não foi fácil, mas com 15 anos eu só pensava em tirar uma nota alta em matemática e conversar no telefone (lembram disso?), não tinha entendi o sentido nas palavras da minha mãe em "ser mulher" e do meu pai em "achar que perdeu o amor da vida dele".

Hoje eu entendo.

32 anos na cara para entender que a minha mãe precisava ser feliz e que meu pai precisava de um tapa na cara da vida para melhorar como ser humano.

Atualmente eu não ando muito bem da cabeça não. Tenho misturado droga lícita e ilícita com álcool, me disseram que não é saudável, mas eu sempre fui muito rebelde para nadar a favor da maré.

Pois me lembro que, mesmo afogando, eu nadava contra. Até que me falaram para nadar na diagonal.

Nadar a favor da maré não é o intuito desse texto.

O intuito é sempre nadar na diagonal para não se afogar e chegar na areia, pisar em terra firme e voltar a ter a posição que um dia a gente teve.

Mas quem leu todos esses textos sabe que a areia nunca foi a minha praia, não é?

E eu nunca lembro como aprendi a boiar, mas lembro de sempre que segui em frente, nunca na diagonal.

Dessa forma, meu caro, será que o lance é "diagonalmente" em frente? 



sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Sobre o garoto que aprendeu a amar mais...

Quando a gente fala de amor a primeira coisa que vem na nossa cabeça é aquele simbolismo da alma gêmea: o cara perfeito, que te tira do chão, que te beija apaixonadamente, que te deseja todo o dia, que ri e chora com você e que constrói uma vida a dois... 
Esse é o clichê do amor, mas hoje eu quero escrever sobre outro tipo de amor. 
Foram anos tentando me libertar dessa sensação de que eu deveria ter mais liberdade comigo mesmo, que eu precisava pagar todas as minhas contas, que eu precisava ser autosuficiente, que eu precisava "vencer na vida". 
E a gente lê todo o santo dia a frase de "coach": "estude enquanto eles dormem" bla bla bla. 
Que merda........... 
Hoje eu sinto que aprendi a dar mais valor a cada suor e cada cabeçada na parede que eu dou no trabalho. Hoje eu aprendi a desligar o notebook, abrir uma taça de vinho e deitar no meu sofá, o qual ainda estou pagando em suaves prestações rs, mas aprendi, além de tudo, a admirar tudo que conquistei até esse momento. 
Foram anos tentando, anos me descobrindo, anos gritando e batendo contra si. 
Foram anos... 
anos e mais anos... 
Hoje eu eu aprendi a amar mais o meu lar, que eu construí com muita dor e trabalho. 
Mas hoje tem muito mais amor, muita razão, muito sentido. 
E é sobre isso... e tá tudo bem.

e era exatamente esse sentimento que eu estava tentando descrever e não conseguia. Até que realizei...

Sobre o descontrole cotidiano de uma pessoa farta de mentiras...

 Pois é...

Como um bom ariano, e aqui eu gosto de reforçar o clichê, o meu humor não andava muito bem não.

Tenho ido duas vezes ao trabalho presencialmente e tem sido ótimo, principalmente para dar as caras e ver pessoas além de mim e meus dois gatos que, sim, são duas pessoinhas.

Pois bem. Pedi um Uber.

E, contextualizando, eu sou aquela pessoa bem animada que puxa papo de manhã, começa a ouvir histórias e começa a dar atenção mais do que devia. Uma vez foi a história da loucura de amor, mas dessa vez... eu peguei um Uber pró-bolsonaro.

Normalmente a corrida até o trabalho dá 25 minutos.

Essa durou 45 min.

E foram 45 minutos ouvindo o quanto a vacina não era eficaz; que não houve corrupção na compra da Covaxin; que o Dória é um maluco (essa eu concordei em partes); que os médicos que ele tinha passado falaram que a Coronavac não era uma boa vacina e que deveria sim escolher - #socorro o sommelier - enfim, uma hora eu gritei...

Eu: Pelo amor de Deus, como assim não teve superfaturamento? Como assim o Bolsonaro está fazendo um bom trabalho? Você precisa começar a ouvir outra coisa ao invés da Jovem Pan, meu caro, a gente tá vivendo uma pandemia sem precedentes, só temos vacina porque um Governador se esgoelou para sair na frente; o "Naro" deixou de responder mais de 100 e-mails da Pfizer, não são nem dez horas da manhã e eu tô tendo que ouvir toda essa baboseira? Me poupe.

A viagem seguiu silenciosa até o trabalho.

Ele pediu dicas de boas fontes de informação.

Mandei ele ouvir o "Foro de Teresina" e ler uma Carta Capital da vida, sei lá.

Queria ter mandado tomar no cu? Queria, mas daí lembrei que tomar no cu é bom...

Ah! E para não perder o costume #FORABOLSONARO

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Sobre as mecânicas do inconsciente em relação às nossas atitudes...

 Pois é...

Tive um insight FDP hoje e precisava vir aqui tentar entender. Tenho notado que me relaciono sempre com pessoas em um relacionamento aberto. Incrível né? E o mais doido é que, nesses aplicativos de relacionamento, só me aparecem os : CASAL / 2 + 1 / CASAL VST / etc etc etc.

E daí bate em nossa cabeça o famoso INSIGHT, daqueles bem fodidos, sabe? Que te deixa o tempo todo "noiado". 

Segue:

Depois de sair de um relacionamento entendi comigo mesmo que não estava e nem estou preparado para vivenciar algo a dois. Sim, na monogamia.

Sendo assim, sigo tentando arriscar uns beijos aqui, acolá e, no meio disso tudo, ainda tentando sobreviver a uma pandemia, aos poucos vou vendo uma constante surgir em todos os "relacionamentos" que passam em minha frente e penso comigo mesmo: estou perdendo algumas chances... e sabe qual? 

Eis a nóia:

Sinto que toda vez que eu saio com uma pessoa que está na diversão, com um relacionamento aberto, eu perco a oportunidade de - talvez - tentar desenvolver algo a mais. Louco né? Mas é isso...

Ao mesmo tempo que não estou preparado, quero ter a oportunidade de, sei lá, cair no meio de um filme romântico bem idiota a lá adaptação de John Green e me apaixonar, mas não quero. E tá tudo bem?

 Eu achei que estava tudo bem.

Pois eis que hoje, nesta data, meus caros, peguei essa meu pensamento e mandei um áudio bem explicativo a uma grande amiga, terapeutizada.

Resposta: "Não, é o que a tal da análise fala: será que você só fica com pessoas de relacionamento aberto por que você está, de fato, desinteressado e não está afim de namorar ou será que, inconscientemente, você está provocando uma situação para que, de fato, não dê certo para que você não conheça alguém, não se apaixone e não se entregue. Já parou para pensar nisso?! Pois o nosso inconsciente passa a perna "ni nóis"."

Rapaz......... 

e sigo eu aqui, caído em meu apartamento de 32m² depois desse soco no estômago. Preferia ter levado uma mordida na cabeça do meu pau, talvez. 

Mas só talvez...

Acho que preciso voltar para a terapia!



segunda-feira, 19 de julho de 2021

Sobre as bobeiras que o amor nos faz passar...

 Semana passada peguei um Uber para ir ao trabalho. Já estava um pouco atrasado do que o normal - aliás, eu deveria considerar o atraso quase como uma grande amiga para o meu trabalho - e já fui pedindo desde aqui de cima para a viagem.

Da Vila Andrade até o Itaim, quando tá tudo "ok", dura uns 25 minutos essa viagem. Dependendo o meu "mood" eu vou conversando ou então só fico rolando meu Instagram no automático.

Vejo que ele se atrapalha com o GPS e estava prestes a virar em uma rua a qual eu conheço e sei que é sem saída: "moço, pode ir reto, aqui é sem saída".

ele: "me desculpa, não sou aqui, sabe? Daí fica um pouco difícil me localizar"

eu: "É de onde?"

ele: "Itu/SP"

eu: "Moço, você tá longe. O que tá fazendo perdido aqui?"

Ele dá uma pausa, o sinal fecha, ele coloca a mão na cabeça e eu penso "lá vem história..."

ele: Então, João, eu tô aqui faz uns três dias. É que - meio sem graça ele vai se abrindo - eu conheci uma menina em um aplicativo e já fazem 03 dias que estou aqui com ela, sabe?

Agora a pausa foi minha, pensei o quão loucos esses dois sujeitos são para 1) a moça abrigar um desconhecido 3 dias na casa dela OU 2) o moço ir, ficar trabalhando de Uber e ser abrigado 3 dias por uma desconhecida.

eu: olha só... mas você sabe que de vez em quando a gente tem que viver uma loucura de amor, né? Nunca se sabe o dia de amanhã - que clichê, João Pedro.

Pois é. E sabe que isso me fez pensar bastante. Um dia uma pessoa muito querida me disse que eu deveria me permitir mais: "você tem que se permitir a conhecer as pessoas, as vezes você deixa de ter um lance legal ou uma histórica bacana pela falta de permissão".

Que doido, né? Quem diria que eu, aqui, depois de muito tempo, teria esquecido o quão faz bem a gente cometer essas loucurinhas de amor/paixão/casinhos/affair, etcs.

Lembro um dia em 2015 que passei o ano novo no Rio. Fui ter um date com um cara super gente boa, carioca é ótimo no papo né? Pois eu não sai achando que estava vivendo um amor de verão? Teve foto, teve declaração, beijos apaixonados e fiquei apenas algumas horas com ele.

Claro que depois não conseguimos engatar em mais nada. Os nosso caminhos tiveram outras direções e é sobre isso.

eu: "Moço, obrigado e bom trabalho. Ah, e aproveite o seu amor de inverno. Vale a pena..."


e eu achando que ainda estava faltando algum texto sobre o encontro do cotidiano com o amor...