sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Sobre o garoto que aprendeu a amar mais...

Quando a gente fala de amor a primeira coisa que vem na nossa cabeça é aquele simbolismo da alma gêmea: o cara perfeito, que te tira do chão, que te beija apaixonadamente, que te deseja todo o dia, que ri e chora com você e que constrói uma vida a dois... 
Esse é o clichê do amor, mas hoje eu quero escrever sobre outro tipo de amor. 
Foram anos tentando me libertar dessa sensação de que eu deveria ter mais liberdade comigo mesmo, que eu precisava pagar todas as minhas contas, que eu precisava ser autosuficiente, que eu precisava "vencer na vida". 
E a gente lê todo o santo dia a frase de "coach": "estude enquanto eles dormem" bla bla bla. 
Que merda........... 
Hoje eu sinto que aprendi a dar mais valor a cada suor e cada cabeçada na parede que eu dou no trabalho. Hoje eu aprendi a desligar o notebook, abrir uma taça de vinho e deitar no meu sofá, o qual ainda estou pagando em suaves prestações rs, mas aprendi, além de tudo, a admirar tudo que conquistei até esse momento. 
Foram anos tentando, anos me descobrindo, anos gritando e batendo contra si. 
Foram anos... 
anos e mais anos... 
Hoje eu eu aprendi a amar mais o meu lar, que eu construí com muita dor e trabalho. 
Mas hoje tem muito mais amor, muita razão, muito sentido. 
E é sobre isso... e tá tudo bem.

e era exatamente esse sentimento que eu estava tentando descrever e não conseguia. Até que realizei...

Sobre o descontrole cotidiano de uma pessoa farta de mentiras...

 Pois é...

Como um bom ariano, e aqui eu gosto de reforçar o clichê, o meu humor não andava muito bem não.

Tenho ido duas vezes ao trabalho presencialmente e tem sido ótimo, principalmente para dar as caras e ver pessoas além de mim e meus dois gatos que, sim, são duas pessoinhas.

Pois bem. Pedi um Uber.

E, contextualizando, eu sou aquela pessoa bem animada que puxa papo de manhã, começa a ouvir histórias e começa a dar atenção mais do que devia. Uma vez foi a história da loucura de amor, mas dessa vez... eu peguei um Uber pró-bolsonaro.

Normalmente a corrida até o trabalho dá 25 minutos.

Essa durou 45 min.

E foram 45 minutos ouvindo o quanto a vacina não era eficaz; que não houve corrupção na compra da Covaxin; que o Dória é um maluco (essa eu concordei em partes); que os médicos que ele tinha passado falaram que a Coronavac não era uma boa vacina e que deveria sim escolher - #socorro o sommelier - enfim, uma hora eu gritei...

Eu: Pelo amor de Deus, como assim não teve superfaturamento? Como assim o Bolsonaro está fazendo um bom trabalho? Você precisa começar a ouvir outra coisa ao invés da Jovem Pan, meu caro, a gente tá vivendo uma pandemia sem precedentes, só temos vacina porque um Governador se esgoelou para sair na frente; o "Naro" deixou de responder mais de 100 e-mails da Pfizer, não são nem dez horas da manhã e eu tô tendo que ouvir toda essa baboseira? Me poupe.

A viagem seguiu silenciosa até o trabalho.

Ele pediu dicas de boas fontes de informação.

Mandei ele ouvir o "Foro de Teresina" e ler uma Carta Capital da vida, sei lá.

Queria ter mandado tomar no cu? Queria, mas daí lembrei que tomar no cu é bom...

Ah! E para não perder o costume #FORABOLSONARO