domingo, 24 de maio de 2020

Sobre o Garoto que pensou demais...

Por esses dias estreiou a segunda temporada de "Dead to Me", ou como conhecemos nesse incrível nome: Disque amiga para matar.

E sabe que eu andei pensando muito depois de 07 episódios "maratonados". O valor da amizade vale a pena para tudo? Acho que eu sempre tive a resposta para isso.

A trama conta uma história de duas mulheres que se conhecem em um "alcoólicos anônimos" para pessoas que perderam entes próximos, uma amizade começa a nascer, mas há algumas mentiras no meio que as unem de alguma maneira.

Já tivemos de mentir para amigos próximos apenas para mantê-los próximos?

Deixo essa frase no ar. Puxando na minha memória, acho que nunca precisei fazer algo do tipo, pois sempre fui muito intenso, sempre mantive o meu povo próximo a mim. Sem mentiras. Sem rodeios. Com muito amor. Muita paixão.

A amizade é conquistada, a gente sabe disso, mas o roteiro faz com que a gente se apaixone pelas duas personagens principais. Cada um com sua peculiaridade.

E falando em peculiaridade, a gente acha várias delas em nós.

Quem nunca mentiu para um amigo para um amigo dizendo que não está tão afim daquela pessoa? Quem nunca mentiu para um amigo que você não está tão legal para sair, mas você realmente não queria sair?

O ser humano não gosta de desapontar o outro. Não gosta de deixar o outro não mão. Gostamos de ser solícitos. De ter o outro em nossas mãos. Atenção, carinho, estigma.

Isso é muita nossa identidade né? Ou talvez seja o efeito da quarentena dentro de mim. Afinal, são 65 dias dentro de casa. Ou apenas a dose forte de gim que eu acabei de tomar.

O que eu quero dizer com tudo isso é: está tudo bem.

Se precisar mentir para o seu amigo: ok.

Mas saiba que tudo tem um preço. Às vezes a gente ama demais, entrega demais, dos demais, mas esquece um pouco do ser humano que se mata aos poucos ao fazer isso.

Quem apaga o fogo é aquele que conhece os nossos mais profundos segredos.

E quem é essa pessoa para vocês?

Hoje, bebendo, vendo uma série que eu gosto, respondendo mensagens ao vento, descubro que essa pessoa sou eu.

Ela só está um pouco descabelada e com o coração meio repartido.

Ah, meus caros, como eu queria tomar um drink com a Dua Lipa para ver se realmente aquela música do coração partido é real...

sábado, 23 de maio de 2020

Sobre as vivências dentro da Pandemia...

Após 64 dias dentro de casa, e em um novo apartamento, percebo alguns costumes aos quais venho cozinhando na cabeça.

Eu decidi sair do meu apartamento em Barão Geraldo, lugar que guardo boas memórias - mas isso eu conto depois - e vim viver em um bairro nobre de Campinas: o Cambuí e isso vem despertando algumas curiosidades as quais pretendo compartilhar nas linhas a seguir.

Antes de começar essa história, quero explicar algumas coisas:
1. eu não enriqueci;
2. Eu voltei a dividir contas com uma grande amiga;
3. Eu descobri que sinto muita falta de BG;
4. Tenho começado a amar o Cambuí, mas com ressalvas.

Passadas as considerações iniciais, tenho dividido com algumas amigas o quão me incomoda a frequência do caminhão de lixo nesse pedaço que todos chamam de "Coração do Cambuí". Eu lembro quando era criança que a minha mãe falava que determinado dia, acho que era quinta, o caminhão do lixo passava e tínhamos aquela rotina de juntar tudo e por para fora.

Ok, eu morava numa cidade do interior paulista, mais ou menos 70k habitantes à época, talvez a frequência para atender a cidade toda é considerada "ok".

Vamos voltar ao Cambuí.

Desde que me mudei, isso em fevereiro, a percepção do passar do tempo tem sido completamente diferente. Eu acordava cedo, dava bom dia pros gatos, ia trabalhar, ficava o dia todo fora e, ao final do dia, voltava para casa e chegamos ao "voltava para casa".

Próximo das 22h, no início da mudança, o caminhão passou pela Coronel Quirino, próximo das 22h e alguma coisa, o caminhão passou pela Bandeirantes e me surge a dúvida:

"O rico, por um belo de um acaso, junta mais lixo que os outros?"

Sabe a minha conclusão? Não, não junta, mas fica terminantemente proibido esse acúmulo do lixo dentro de casa, por que é inadmissível que, nos apartamentos luxuosos, tenham dois dias de acúmulo de lixo.

Isso só demonstra o quanto as cabeças dos idealizadores da cidade e das pessoas que a comandam só pensam naqueles que valem a pena financeiramente. Igualdades? Acho que não, pois conversando aqui e ali eu vejo que o caminhão de lixo funciona que nem na minha cidadezinha do interior em alguns bairros: uma vez na semana.

É uma coisa tão pequena, mas que denota toda a desigualdade social que o Brasil vive. Se você tem um pouco mais de dinheiro, e as pessoas acham que tem, mas esquecem que não tem tanto assim, é claro que você tem direito a ter todo o dia, duas vezes por dia, alguém do Estado para retirar todo o lixo que você acumulou. Perdeu o das 22h? Não tem problema, tem o das 22h e pouco, meu caro. (Contém ironia para os desavisados)

Seria uma revolução se estivéssemos pensando em como mudar esse sistema, mas ainda pensamos que é "normal" esse movimento que ocorre às 22h.

Ok, tudo bem, isso é apenas uma das vivências que vou compartilhar.

É por que eu ainda não falei do cruzamento, meus caros. E quando falo cruzamento é o da rua mesmo. São os reis das ruas.

Infelizmente o rico ainda tem muito espaço na nossa sociedade, mas o jogo vem virando, vamos mudar todo esse sistema. Essa coisa sempre me lembra uma música:: "...é que o de cima sobe e o de baixo desce".

Sobre o Garoto que voltou a escrever...

É extremamente compreensivo esse momento mais íntimo. É extremamente compreensivo eu voltar a escrever e, para começar - de novo - tenho que me explicar:

O Devaneios, por muito tempo, foi meu local de desabafo, de consolo, tudo aqui foi muito intenso e eu agradeço cada palavra que eu consegui transmitir, isso quer dizer que eu conse irgui atingir o que eu queria na época, que era entender toda essa bagunça que estava na minha cabeça e organiza-la em palavras.

Desde 2012, que foi o ano da minha primeira publicação, muitas coisas mudaram, foram 08 anos de muitas dúvidas, incertezas, alegrias, choros e, por fim, entendimento.

Em 2020 eu percebi toda a mudança. A vida tem me dado grandes oportunidades para olhar para o meu eu interior e passar por esse momento tão obscuro que o Mundo está passando. 

Sendo assim, eu decidi "reverter para rascunho" todas as palavras que eu joguei aqui, algumas por não fazer tanto sentido, outras para me privar de certas explicações, enfim: reverti.

Vamos começar pelo começo: quero manter uma rotina para escrever e postar toda a quinta, aos poucos vou conseguindo reler todas as minhas publicações e solto quando achar necessário. 

Os temas? Variados. Mas isso vai ser sempre uma surpresa.

Espero que gostem, pois eu mudei. Já não me vejo mais em 2016, no meu último texto, que, curiosamente, teve 256 visualizações.

Bem vindo ao novo normal, bem vindo ao Devaneios.

E por achar que, por tanto tempo, decidir esperar, o tempo passou, mas a vontade de conquistar o Mundo só aumenta.