Eu sempre digo que a tristeza é que nem o quebrar de uma onda. Ela vai, quebra, volta novamente para o mar, vai, quebra, volta novamente para o mar e assim vai indo nesse ciclo vicioso que desgasta toda a energia boa que você tenta emanar para essa sociedade que estava cada vez mais dura e cruel com os problemas alheios.
Vive-se em uma época em que pouco nos preocupamos com que está acontecendo ao nosso redor. A tristeza é uma "pessoa" que emana perante a você e se espalha por todas as pessoas que estão ao seu redor. Se você não se encontra bem - e 'bem' quando eu digo é o estado da aura que a pessoa se encontra - todos ao seu lado estarão sendo sugados perante esse sentimento ruim que sai de dentro de você. É como um vírus que você passa somente de olhar para o seu próximo. Vive-se em uma época que os olhares nos afetam muito mais do que as palavras que disparamos contra nossos semelhantes.
Eu tento entender o por quê de estar acontecendo certas coisas que criam-se perante a mim. As vezes penso que não estou no lugar certo, não mereço sofrer o tanto que eu sofro. A vida é tão cheia de surpresas que, mesmo nos lugares mais escuros, há luz para você se guiar. Eu já venho tendo um ritmo de sofrimento muito alto durante 'um ano e meio' de existência. Já tentei beber o Mundo para ver se o meu problema era a cachaça. Já tentei fumar todos os maços de cigarro que guardo embaixo do meu travesseiro. Já tentei comer toda a comida que não existe dentro da casa de uma pessoa que paga, a cada dois meses, um valor exorbitante a uma nutricionista. Já tentei lavar as roupas que uso com cada gota de sangue que eu derramei durante esse 'um ano e meio'. Já tentei jogar-me em frente a todos os veículos existentes dentro dessa cidade em que as duas rodas estão perto de te desvincular do seu corpo. Já tentei cantar músicas depressivas, alegres, ridículas ou estranhas para tentar, pelo menos, estourar meus pulmões, mas chego a conclusão que todos nós somos apenas fumaça e espelho.
Nossos devaneios surgem que nem o fogo criado pela ponta de cigarro que eu jogo no canteiro seco. A fumaça sempre surge na parte em que o cigarro está mais afetuoso as folhas de outono que caem sobre o chão seco e poeirento. Mas mesmo assim ele persiste em se tornar maior. Dois centímetros de câncer se tornam alqueires de fumaça. De espelhos apenas nossos reflexos estão a nos ajudar.
Vejo a morte ao olhar no espelho. Vejo o quanto envelheci perante aos R$8,50 diários. Vejo o quanto de vida estou perdendo a cada minuto que tranco minha vaidade em um quarto. Vejo o quanto eu me perdi em tão pouco tempo de desistência da vida. Cada risco que surge no meu rosto prova o quanto mais eu estou cansado de tentar viver uma coisa que eu nunca quis. Eu estou sempre me cobrando de uma coisa que não corro atrás e, parado desse jeito, a única coisa que irá me alcançar com facilidade é a morte, que, tão bela, irá se esvair de todos os poros do meu corpo.
"But I still got jazz when I've got those blues".
E "começando pelo começo" a gente vai se perdendo no fim e no meio.
ps: isso não é uma nota de suicídio. Apenas estou exteriorizando coisas que andam me atingindo durante esse pouco tempo de "caminhada no escuro". Sou uma pessoa cheia de vida. Murcha como uma rosa pisada pelos pés de um ex-amor, mas continuo ali mostrando o resto da minha beleza para quem gostaria de ter o prazer de me receber.
As coisas na vida passam. Tudo passa. Tudo se conclui. As etapas sempre se fecham. Seja com um final feliz, seja com um final triste. Mas a vida sempre dá um jeito de fazer tudo isso se tornar um mar de rosas no final, pois ela mesma sabe que temos nossos altos e baixos.
Hoje eu vivo pelo quebrar das ondas. Amanhã vivo pela liberdade da minha alma acorrentada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário