Eu ainda me importo muito com o sentimento alheio e acho que já não consigo mais dizer "foda-se" para certas situações. Acho que quando o nosso coração diz "vá por esse caminho, vamos nos foder juntos" pode ter certeza que no final da tortura vem o prazer - isso para todo bom sadomasoquista que nem eu.
Já tive a intenção de machucar muitas pessoas, as vezes é por isso que eu possa estar sendo colocado num caminho que possa ter duas curvas. A da tortura amorosa ou a da tortura dos meus devaneios. Espero entrar pela primeira. Ela vem se aconchegando de uma forma tão dócil e afetiva que eu já me esqueci dos espinhos de suas últimas flores. Ao pisar nela não há mais volta, não há mais palavras, não há mais cabeça. Apenas bitucas de cigarro jogadas por todo o seu redor e garrafas de gim baratas o suficiente para embriagar a minha razão. Por inúmeras vezes eu tive de optar pelos devaneios para poder me salvar de certos constrangimentos. Eu acendo esse cigarro agora com louvor. Será que vivemos neste caminho para pegar a "tortura amorosa" ou estamos apenas escolhendo um pouco mais de diversão pelas estradas afora? Será que temos a plena consciência de todos os nossos atos ou estamos apenas errando tentando acertar?
As dúvidas sempre foram frequentes em minha cabeça e eu sempre tive esse problema de poder relacioná-las com a certeza de que, um dia, com certeza, eu poderia estar apaixonado novamente. Depois da última vez eu não pensei que iria me apaixonar novamente. Esse tal de "sangue azul" que percorre as suas veias está me embebedando conforme você dança em volta da sua mesa cheia de cocaína. Eu aposto que uma cheirada estaria valendo mais a pena que foder bem gostoso. Acho que esse azul pode estar sendo royal demais para o nosso sangue. A contaminação chega a ser tanta que eu estou completamente vidrado nas coisas que podemos fazer surgir. O mundo de Thelma e Louise poderia ter sido muito diferente, amor, mas somente os casos de amor que James Dean ofereceu aos meus ancestrais mostraram que, com certeza, eu colidi a 200 km/h frente a ti.
James Dean foi uma pessoa incrível. De tantas velocidades acabou morrendo por aquela que sempre lhe fazia delirar de prazer, Ao cometer tal acidente, JD teve seu último minuto de imperfeição, de rebelde sem causa. Hoje podemos entender a cena final de "Black Swan" sem ter que voltar ao ponto em que sobem os créditos iniciais a tela de sua televisão.
Realmente, meu caro, a perfeição existe e está ai para ser comprovada com toda a nossa morte. Hoje somos meros mortais tentando atingir o ápice do sucesso: a morte. Ou você acha que um dia as pessoas se descobrem famosas após acordar de seu próprio festejo fúnebre? Do pó viemos e ao pó retornaremos, acho que foi assim que algum apóstolo ou seja lá o que for essa pessoa santa disse uma vez. Acho que devemos agradecê-lo por ter uma sabedoria um tanto quanto "aclamada".
Pode não ter feito sentido para você, mas eu me entendo muito bem com as minhas palavras. Eu já disse que não tenho intenção de fazê-lo entender o que se passa em minha cabeça. Hoje falei de amor e morte e como as relações são intrínsecas a nós, seres humanos, que jaz. Volto-me ao cigarro, ao gim barato e ao meu querido amor que, finalmente, eu posso dizer: amor, meu querido amor, posso ter certeza que em seus braços há felicidade, há devaneios e há torturas, mas nada melhor do que tê-lo aqui ao meu lado entrelaçado nessa bagunça que eu chamo de Dom.
"...after the last time, didn't think that I could love"
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