sábado, 23 de maio de 2020

Sobre as vivências dentro da Pandemia...

Após 64 dias dentro de casa, e em um novo apartamento, percebo alguns costumes aos quais venho cozinhando na cabeça.

Eu decidi sair do meu apartamento em Barão Geraldo, lugar que guardo boas memórias - mas isso eu conto depois - e vim viver em um bairro nobre de Campinas: o Cambuí e isso vem despertando algumas curiosidades as quais pretendo compartilhar nas linhas a seguir.

Antes de começar essa história, quero explicar algumas coisas:
1. eu não enriqueci;
2. Eu voltei a dividir contas com uma grande amiga;
3. Eu descobri que sinto muita falta de BG;
4. Tenho começado a amar o Cambuí, mas com ressalvas.

Passadas as considerações iniciais, tenho dividido com algumas amigas o quão me incomoda a frequência do caminhão de lixo nesse pedaço que todos chamam de "Coração do Cambuí". Eu lembro quando era criança que a minha mãe falava que determinado dia, acho que era quinta, o caminhão do lixo passava e tínhamos aquela rotina de juntar tudo e por para fora.

Ok, eu morava numa cidade do interior paulista, mais ou menos 70k habitantes à época, talvez a frequência para atender a cidade toda é considerada "ok".

Vamos voltar ao Cambuí.

Desde que me mudei, isso em fevereiro, a percepção do passar do tempo tem sido completamente diferente. Eu acordava cedo, dava bom dia pros gatos, ia trabalhar, ficava o dia todo fora e, ao final do dia, voltava para casa e chegamos ao "voltava para casa".

Próximo das 22h, no início da mudança, o caminhão passou pela Coronel Quirino, próximo das 22h e alguma coisa, o caminhão passou pela Bandeirantes e me surge a dúvida:

"O rico, por um belo de um acaso, junta mais lixo que os outros?"

Sabe a minha conclusão? Não, não junta, mas fica terminantemente proibido esse acúmulo do lixo dentro de casa, por que é inadmissível que, nos apartamentos luxuosos, tenham dois dias de acúmulo de lixo.

Isso só demonstra o quanto as cabeças dos idealizadores da cidade e das pessoas que a comandam só pensam naqueles que valem a pena financeiramente. Igualdades? Acho que não, pois conversando aqui e ali eu vejo que o caminhão de lixo funciona que nem na minha cidadezinha do interior em alguns bairros: uma vez na semana.

É uma coisa tão pequena, mas que denota toda a desigualdade social que o Brasil vive. Se você tem um pouco mais de dinheiro, e as pessoas acham que tem, mas esquecem que não tem tanto assim, é claro que você tem direito a ter todo o dia, duas vezes por dia, alguém do Estado para retirar todo o lixo que você acumulou. Perdeu o das 22h? Não tem problema, tem o das 22h e pouco, meu caro. (Contém ironia para os desavisados)

Seria uma revolução se estivéssemos pensando em como mudar esse sistema, mas ainda pensamos que é "normal" esse movimento que ocorre às 22h.

Ok, tudo bem, isso é apenas uma das vivências que vou compartilhar.

É por que eu ainda não falei do cruzamento, meus caros. E quando falo cruzamento é o da rua mesmo. São os reis das ruas.

Infelizmente o rico ainda tem muito espaço na nossa sociedade, mas o jogo vem virando, vamos mudar todo esse sistema. Essa coisa sempre me lembra uma música:: "...é que o de cima sobe e o de baixo desce".

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