terça-feira, 13 de julho de 2021

Sobre o dia que eu virei a chave.

Todos nós temos um momento de virada da chave na vida, correto? Eu pensei que nunca ia ter...
Com 27 anos, a gente acha que já viveu de tudo na vida, mas sabe que, no fundo, ainda tem muita corrente para arrastar.
MAS eu venho aqui entender e contar um pouco do dia que eu virei a chave.

Meados de Maio tive um ótimo fds, regado a risadas, amigos, bebedeira e uma boa fofoca.
Cigarro vai, cigarro vem, João Pedro já está bem bêbado, faz aquele vídeo bem cafona para lembrar das besteiras que falou e desmaia na cama.

Na volta para São Paulo... pera, acho que preciso contextualizar um sentimento antes de entrar nesse ritmo.

Cheguei por aqui meados de março, sozinho, pandemia, sem muitas pessoas para poder conversar. Para quem tinha muito sentimento e calor na última cidade em que morou, estar em 30m² poderia ser um pouco mais sufocante.

Retornando: depois de muita alegria, bate a ressaca de se ver, novamente, sozinho e preso em 30m². Para quem não sabe eu tenho um "pequeno" problema de pressão e sou daqueles bem desesperados com hospital, tendo em vista a internação de Setembro/2020. Ok, respira, engole um remédio, corre pra UBS.

Correr não né? Pega um Uber. E eu achando que o Uber não poderia ser mais lerdo, porém estava prestes a morrer. Eu achava que ia morrer.

Chega na UBS, pressão 18/10, essa merda não abaixa, enfermeiras falando "está tudo bem", "tudo bem meu ovo esquerdo", "EU TO MORRENDO"... pausa pro drama.

Dois dias ouvindo um mantra para abaixar pressão no youtube (cientistas/médicos, por gentileza, me expliquem essa doideira, pois super funciona, estilo pisar nas cebolas).

Parei de fumar, por enquanto sem beber e sigo a vida assim. Virei a chave.
Ando todos os dias +/- uns 5km. Emagreci.

Mas eu não virei a chave. Eu contei tudo isso apenas para dizer que ainda é difícil. Esse sentimento de "estar sozinho" ainda é muito frequente e eu tenho aprendido a lidar com isso.

Ainda é muito difícil olhar para trás e ver que deixei muitas memórias correrem, mas tento aqui escrever uma nova história e que ela não seja apenas de solidão, mas de retorno e de brilho.

Dizem que em SP tem tudo, mas será que tem realmente tudo?

e por enquanto sigo aqui, tentando lembrar e tentando esquecer.

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